19.9.12

"Novelão" salva o "Vídeo Show"

O "Vídeo Show", definitivamente, não é mais aquela revista eletrônica que amávamos acompanhar no início da tarde. A atração ainda é imprescindível para a Globo - exatamente por ser o mostruário de sua programação e uma importante vitrine para a glamourização dos artistas da casa -, mas já não tem mais o bom acabamento dos tempos de Miguel Falabella e Cissa Guimarães.

No comando, André Marques e Ana Furtado nos dá vergonha alheia a cada comentário boboca que tecem entre um VT e outro. Dupla de apresentadores pra quê? A repórter Dani Monteiro é simpática, mas parece um peixe fora d’água ali, talvez por seu histórico no “Esporte Espetacular”. Jaqueline Silva, vinda do “Mais Você”, também é uma boa repórter, mas nos faz sentir saudade da ótima Geovanna Tominaga, que fez exatamente o caminho inverso, do vespertino direto para o matutino de Ana Maria Braga. Boninho, diretor de ambas as atrações, fez besteira. Bruno de Luca é aquele confete de sempre, sem brilho, destoante, que só está ali porque é muito bem apadrinhado. As matérias, o que realmente interessa, deixam a desejar, ainda mais quando inventam concursos tresloucados que só servem para encher linguiça. E o que é aquele “Vídeo Boy”, gente?!

Na verdade, embora isso possa parecer contraditório, o "Vídeo Show" nunca foi um programa acomodado. Muito pelo contrário. Ao longo de seus quase 30 anos, sempre houve uma preocupação em mexer aqui e ali, buscar renovação, por mais sutil que fosse. E foi justamente numa dessas chacoalhadas que as coisas degringolaram, e estão como estão.

Virando especialista em reprisar cenas de capítulos anteriores das novelas em exibição - o que denota pura preguiça -, o “Vídeo Show” dos dias de hoje só tem valido a pena por conta do quadro “Novelão”, criado no final de maio como “Novelão da Semana”. Nele, uma novela é compactada em duas semanas (cerca de cinco minutos diários), narrada em off e apresentada geralmente no último bloco do programa, numa tentativa de segurar a audiência. Sucessos como “Tieta” (1989), “Brega & Chique” (1987), “Renascer” (1993) e “Direito de Amar” (1986) já foram relembrados. “Cambalacho” (1986), de Silvio de Abreu, está atualmente em cartaz.

Em tempos de re-reprises de folhetins recentes, o verdadeiro “Vale a Pena Ver de Novo” é visto agora dentro do “Vídeo Show”. O “Novelão” é a prova de que a revista eletrônica não precisa fazer nenhum esforço titânico para agradar a audiência. Basta fazer bom uso dos arquivos do Plim Plim. Quando isso acontece, reconhecemos melhor o tradicional programa.


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