9.3.12

Trajetória: Caco Ciocler

Em ensaio para a revista TPM
"A TV me deu um ajuste fino de autoconhecimento. No teatro, você não tem como se ver. E a televisão te dá isso. Pela primeira vez, pude me ver, ouvir minha voz, saber como ando e descobrir os meus vícios profissionais. Às vezes, eu queria fazer uma cena de um jeito e quando assistia tinha saído completamente diferente. Poder ter esse retorno é muito legal. Mas ao mesmo tempo confesso que entro em crise toda vez que me vejo. Tanto que algumas vezes nem assisto as minhas cenas para evitar o sofrimento. Sempre gostei mais de ver do que de ser visto. Sou mais 'voyeur' do que exibicionista." (Caco Ciocler, em entrevista ao portal Terra, em 2005)

Nascido em uma família de classe média alta, Caco Ciocler enveredou para o mundo das artes cênicas quando já estava prestes a se formar engenheiro. Seus pais não ficaram nada satisfeitos com a opção do filho, embora desde pequeno ele já demonstrasse inclinação para o palco. Bem antes de completar 10 anos de idade, Carlos Alberto Ciocler integrou o grupo de teatro amador do clube A Hebraica, que o introduziu à crítica aos 17, com a peça Ecos.

A TV foi uma consequência inesperada. Caco era preconceituoso com o veículo e relutou a aceitar o convite do diretor Luiz Fernando Carvalho, que o viu em cena no teatro e o persuadiu a integrar o elenco da primeira fase da novela "O Rei do Gado" (1996). Na pele do jovem italiano Jeremias Berdinazzi, que depois foi interpretado pelo saudoso Raul Cortês, Ciocler debutou na telinha, chamou a atenção da crítica especializada e abocanhou o Prêmio APCA daquele ano, na categoria "Revelação Masculina".

Na minissérie "A Muralha"
Seus trabalhos seguintes na TV, no entanto, passaram quase despercebidos. Você nem deve lembrar, mas Caco participou das novelas "O Amor Está no Ar" (1997), "Por Amor" (1997), "Corpo Dourado" (1998) e o remake "Pecado Capital" (1998). Em 2000, destacou-se na minissérie "A Muralha", ao interpretar o cafageste Bento Coutinho. Nesse mesmo ano, integrou o elenco de "Esplendor", deliciosa novela das seis da Globo, onde deu vida ao paramédico Lázaro. Já em "Um Anjo Caiu do Céu", defendeu o personagem Davi, um agente judeu que trabalhava contra um grupo neonazista.

Na telepornochanchada "O Quinto dos Infernos" (2002), divertida minissérie que narrava a chegada da Família Real ao Brasil, Caco encarnou o personagem mais interessante de sua trajetória televisiva até aqui, na opinião deste blog. Dom Miguel era uma sujeito estranho, mimado pela mãe e vivia trancado em casa por horror ao sol. Além disso, nutria uma ácida inveja por seu irmão, Dom Pedro (Marcos Pasquim), que era diametralmente o seu oposto. Na verdade, como se percebeu ao longo da história de Carlos Lombardi, Dom Miguel sentia uma perturbadora atração física pelo irmão mulherengo.

Dois anos depois, Caco caiu de paraquedas (mentira, foi de balão) em "Chocolate com Pimenta", mais ou menos na metade da comédia romântica de Walcyr Carrasco. Figura misteriosa, Miguel (nome que persegue o ator) chegou para movimentar a trama central e desestruturar o romance dos protagonistas de Mariana Ximenes e Murilo Benício. O folhetim será re-reprisado a partir do dia 12 deste mês.

Na minissérie "JK"
Avesso desde sempre ao estereótipo de galã, o ator não teve como escapar desse rótulo em "América" (2005), onde deu vida ao intelectual Ed Talbot. O envolvimento amoroso de seu personagem com a mocinha de Deborah Secco caiu nas graças do público, destronando assim o peão de Murilo Benício, par romântico de Sol no início da trama de Glória Perez.

Após o sucesso em "América", Caco retornou à telinha, sem barba, na excelente minissérie "JK" (2006), vivendo o bom moço Leonardo Faria. O personagem dançava tango em um cabaré com Salomé, papel de Deborah Evelyn. O romance dos dois, pontuado por desencontros e mágoas, foi bonito de se ver.

Seu trabalho seguinte veio ainda em 2006, na novela "Páginas da Vida". Na trama de Manoel Carlos, Ciocler viveu o indeciso fotógrafo Renato, formando um triângulo amoroso com Vivianne Pasmanter e Ana Furtado. Em "Duas Caras" (2007), disputou o coração de Marjorie Estiano com Dalton Vigh. Na premiada "Caminho das Índias" (2009), Ciocler e Marjorie voltaram a contracenar, mas dessa vez como irmãos. A sempre ótima Débora Bloch foi o par da vez.

As últimas participações de Caco na TV foram na série "A Cura" (2010), onde interpretou um médico, e na novela "Cordel Encantado" (2011), integrando o elenco de apoio. Sua próxima aparição será na série "As Brasileiras", no episódio "A Apaixonada de Niterói", ao lado de Letícia Sabatella e Camila Morgado. Vai ao ar dia 19 de abril.

Paralelo à TV, Caco também brilha no teatro e no cinema. Em 2011, esteve nos palcos com o monólogo "45 Minutos", no qual interagia com a plateia; e este ano, desde fevereiro, está em cartaz com a peça "A Construção". Sua experiência como diretor também merece menção. Por seu trabalho em "Na Solidão dos Campos de Algodão", venceu o Prêmio Quem 2010 na categoria melhor diretor de teatro. Na telona, o ator coleciona sucessos de crítica e bilheteria. "Bicho de Sete Cabeças" (2001), "Avassaladoras" (2002), "Sexo, Amor & Traição" (2004), "Quase Dois Irmãos" (2004) e "Olga" (2004) são os exemplos mais notórios. Atualmente, ele pode ser visto em "2 Coelhos", filme que vem recebendo elogios graças ao seu roteiro bem elaborado e pela tentativa de sair do lugar comum do cinema brasileiro.

Aos 40 anos, Caco voltará às novelas ainda em 2012. A partir de outubro, emplacará mais um personagem criado por Glória Perez, em "Salve Jorge". Antes disso, reafirmando o privilégio de ser um dos atores mais requisitados do nosso cinema, ele rodará mais um longa-metragem: "De Menor", de Tata Amaral, vivendo um juiz.

A seguir, uma galeria de imagens da trajetória camaleônica de Caco Ciocler na telinha (clique para abrir o slideshow). Deleite-se e deixe seu comentário!


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