7.10.11

Especial: "Felicidade" (1991)

A eterna busca pela felicidade ganhou as cores do arco-íris em 1991, na Globo, pelas mãos de Manoel Carlos - que não escrevia novelas para a emissora desde 1983. Em 07 de outubro daquele ano, ou seja, há exatos 20 anos, "Felicidade" entrava no ar com uma história perfeita para a faixa das seis: repleta de romance e um clima de encanto que transbordava na tela. A novela vinha com a missão de fazer com que o público esquecesse a trama anterior, "Salomé", que não caiu nas graças da audiência e deixou o canal carioca vacinado contra folhetins de época por quase dez anos.

 "Felicidade" trazia um quarteto de protagonistas: Maitê Proença, aos 33 anos, como Helena; Tony Ramos, que não dava as caras na faixa desde "Livre Para Voar" (1984), como Álvaro; Herson Capri, vindo de uma participação especial em "Meu Bem, Meu Mal" (1990), como Mário; e Vivianne Pasmanter, estreando na TV em grande estilo, como Débora.

A história, inspirada em contos de Aníbal Machado, foi contada em duas fases - 1982 e 1991. Na pacata e fictícia Vila Feliz, no interior de Minas Gerais, durante um jogo do Brasil na Copa do Mundo, Helena, a jovem mais bonita da região, e Álvaro Peixoto, um advogado carioca que acaba de chegar à cidade, se conhecem e se apaixonam quase que instantaneamente. Mas como a felicidade nunca vem montada em um cavalo branco, o caprichoso destino prega uma peça nos dois, não permitindo que fiquem juntos.

Helena acaba se casando com Mário Silvano, um empresário ambicioso que chega à Vila Feliz com o objetivo de prosperar com a instalação de uma escola agrícola. Sem afinidades entre si, o casal admite o fracasso da união e decide se separar. Disposta a ser feliz, Helena reencontra Álvaro e os dois vivem um breve romance. Só que, para desgosto da mocinha, o advogado já está de casamento marcado com a rica e possessiva Débora Meireles. Assim, Helena se vê obrigada a deixar Álvaro para trás, grávida.

Sem poder contar com o amor de Álvaro, Helena decide mudar para o Rio de Janeiro, sonho que sempre alimentou e nunca pôde realizar - nem mesmo quando esteve casada com Mário. Lá, assume a maternidade sozinha, longe dos pais, Ataxerxes (Umberto Magnani) e Ametista (Ariclê Perez), e de seu grande amigo e admirador, o poeta e jornaleiro Zé Diogo (Marcos Winter).

A história dá um salto de nove anos e passa a ser narrada somente no Rio. Helena vive sozinha com a filha, Bia (Tatiane Goulart), e começa a trabalhar para Cândida (Laura Cardoso), mãe de Álvaro. Inevitavelmente, ela reencontra o advogado e o sentimento que existe em seus corações começa a florescer novamente. A essa altura, ele vive um casamento infeliz com a neurótica Débora, que logo descobre a existência de Helena na vida do marido e faz de tudo para tirá-la de seu caminho.

Enquanto isso, Álvaro, que já é pai de Alvinho (Eduardo Caldas), nem desconfia que Bia é sua filha. Só no penúltimo capítulo, exibido dia 28 de maio de 1992 e, a pedido do público, reprisado no dia seguinte, eles se abraçariam como pai e filha, em uma cena emocionante e antológica. Completamente perturbada ao saber desse segredo, Débora decide matar Helena. Ela chega a atirar na rival, mas acaba ferindo Álvaro. Desnorteada, a vilã sai de carro e sofre um grave acidente, fica paralítica e parte para Londres para fazer um tratamento. No último capítulo, exibido no sábado e reexibido na segunda, Helena encontra finalmente a felicidade ao lado de Álvaro. E com um bebê a caminho, é claro.

Entre várias cenas memoráveis de "Felicidade", duas merecem destaque aqui: o acerto de contas entre Helena e Débora em uma loja de brinquedos; e a morte da personagem de Ariclê Perez, que não resiste à emoção de voltar ao Teatro Municipal, onde dançou como primeira bailarina.

Além dos já citados, "Felicidade" reuniu outros importantes nomes da nossa teledramaturgia, como Othon Bastos, Aracy Balabanian, Esther Góes, Paulo Figueiredo, Sebastião Vasconcellos, Sandra Bréa, Yara Cortêz, Milton Gonçalves, Monique Cury, entre outros. Destaque máximo para Ednei Giovennazi na pele de Chico Treva, um coveiro de aparência assustadora, mas dono de um coração bondoso, e que alimenta uma paixão platônica por Helena. Vale salientar ainda que esta foi a primeira novela dos atores Eliane Giardini, Bruno Garcia, Maria Ceiça e Ana Beatriz Nogueira.

Apesar de todo o sucesso obtido na exibição original, a trama passou pelo "Vale a Pena Ver de Novo" num zás-trás. A reprise, levada ao ar entre fevereiro e abril de 1998, compactou 203 capítulos em apenas 55. Recentemente, o canal pago Viva cogitou reprisar a trama na faixa nas 13h. A ideia, até agora, não ganhou corpo.

Na trilha sonora, vários nomes da música nacional e internacional foram reunidos em dois álbuns: Elis Regina, Joanna, Leandro & Leonardo, Kenny G., Michael Bolton, Jimmy Cliff, entre outros. A canção "Felicidade", na voz do grupo Roupa Nova, se tornou uma das músicas de abertura mais emblemáticas de todos os tempos.

Em cada um dos 203 capítulos de "Felicidade", Denise Saraceni (primeira diretora-geral de uma novela da Globo) conseguiu com maestria refletir na tela todo o lirismo e magia criados por Manoel Carlos. O autor, por sua vez, conseguiu não só elevar os índices de audiência que a faixa pedia na época, como também emplacar uma das melhores produções dos anos 90.

Há 20 anos...



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